“2 de novembro era finados, eu parei em frente ao São Luís do outro lado”
No mês de visitar túmulos, honrar a memória dos que se foram e lembrar da vida que não mais se faz presente, nós celebramos, como tudo que se antecede ao Natal.
Renascemos há 3 anos, com a missão de trazer à tona outros horizontes da música, com um olhar sério e analítico, com diversos parceiros e pessoas cuja paixão rompia qualquer adversidade.
Hoje, a celebração e o luto andam de mãos dadas: estamos vivos, mas a crítica e o debate analítico no rap brasileiro morreu.
Passado o triênio, paramos, olhamos nossos iguais, um por um, e todas as outras mídias como a nossa tinham em comum: morreram lentamente, exaustos.
Há uma cultura do elogio e da idolatria de uma comunidade que leva críticas como ofensas ao ego de seus deuses, tal como religiosos fanáticos: com rapper não se brinca. Onde antes se entregava análise, hoje há apenas fatos.
Esse tipo de problema é uma ameaça à crítica, um alicerce, mas é ínfimo em relação a falência da estrutura que a mantinha viva.
Música boa e qualidade não se findam. Nascemos para falar do lírico, da arte da rima e dos universos que ela nos apresenta, retribuímos transformando em textos, análises, vídeos e conexão com pessoas iguais a nós. O que se finda é o tempo e a capacidade de trabalhar. Toda pauta complexa, todo planejamento que exigia semanas, foi fruto do nosso descanso.
A crítica especializada está exausta.
O legado da exaustão são pautas inéditas que nunca vieram à tona, sacrifícios em forma de arquivos que ainda estão nas pastas dos nossos drives e nuvem sob o sufixo .doc, .mkv, .mp4. Daremos um nome, legendas ou um bom header e artes. O que não lançamos ontem, é o motor para inspirar o que o pode fazer amanhã.
Nos recusamos a sermos coveiros de ideais. A crítica não precisa de luto, precisa de vida e sustentabilidade.
O debate não ressuscita por acaso. Ele renasce com a sua ação. Esse é o chamado da ressurreição.